Deborah Scholnic - Paulista de nascença, 47 anos, Deborah é escritora, poetisa, vídeo-maker, atriz e produtora auto-didata. Publicou seu primeiro livro: “Minha Vida é um Jardim de Flores” aos 33 anos e em 2006 o livro foi transformado em peça de teatro ("Asas da Mente") que ficou em cartaz no Teatro Centro da Terra por 3 meses, do qual foi a produtora também.
Foi premiada em concursos de poesias e já apresentou vários recitais como na Hebraica, nos Sescs, no Teatro Julia Bergman, Centro da Terra e em Festas como Behind the Mirror.
Participa ainda de várias antologias como: “Em cada Alma o Sentido da Vida” da Associação de Escritoras e Jornalistas do Brasil.
Fez participações em shows como da Cantora Nicole Borger.

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Sou a Poesia

Nas águas mornas de um paraíso medito e me espanto... Sou a poesia! Espalham-se pelas águas as doces palavras de que sou feita. Misturadas ao sal de um mundo cruel, eu me despedaço e me dissolvo em empatia... E vivo o outro: amargurado, solitário, temeroso, desconfiado... Vem a mim, oh ser vivente! Penetra meu ser e me entende. Solta tua alma! Liberta-te!

Deborah Schcolnic



No Fundo da Água

Nesse vale profundo do meu ser, quero buscar e reunir a minha criação, espelhada por cada canto de mim. Sei que é... É no fundo da água que a mente trabalha: música, poesia, imagem. Ao redor de um corpo, envolve. Arte da natureza – inconsciência – busca inspiração, dança emoção. Mergulha fundo... Extrai o belo e o divino – isso é magnífico. É do que o mundo necessita. É da terra, o coração. É do homem, a outra porção. É da mulher, a satisfação.

Deborah Schcolnic



Pégasus

Pegue-me azul, leve-me leve para o anil viril.
Cavalgue minhas ancas, trote meus pés, balance minhas estruturas, VOE MEUS CABELOS ESSAS ASAS DA MENTE!

Quero sentir a voz do relincho de um deus na minha pele... Estremecendo o olhar, ouvindo o ritmo do cavalgar na hipnose do tempo na conquista do espaço – passo a passo. Empine e coice como o pêndulo da balança que mede forças com a terra... Derrubando tabus, lançando mão do improviso soprando o vento do ódio e da guerra, trazendo o fogo do amor e da paz...

Deborah Schcolnic



Navego Nas Estrelas

Navego nas estrelas como quem uiva ao som de uma melodia, pedindo à lua que acalme meus sentidos e que aquele que está por perto, ouça meu apelo e me deixe em pensamento.

Navego nas estrelas como quem sonha um pesadelo, morrendo aos prantos dos meus devaneios e que aquele que está distante, sinta minha solidão e me leve em sentimento.

Navego nas estrelas como quem sai à procura do mestre, perguntando ”que loucura é essa?!” e que aquele que está entre nós, toque meu coração e me embale em suave movimento...

Deborah Schcolnic



Mundo de Sonhos

Meu mundo de sonhos não é aqui. Onde cabe a poesia? Quem cabe na minha poesia? Quando haverá mais poesia?

Essas ondas que faço são ilusórias: elas alçarão o meu vôo. Voa comigo...Temos asas agora. Eu te levarei ao meu mundo...

Alça, voa, sente, vento, mar, relva, sol, calor. Abraça meu mundo... Me dá a mão... Foge! Perde-te, acha a mim: Espero-te! Aqui – nesse lugar – agora teu também...

Voltar? Quando? Onde? Não dá mais ! Estás preso na minha teia: Devoro-te. Enveneno-te. Sedução, Ilusão. Morrerás ! ACABOU O MEU MUNDO!

Vive, renasce em meu ventre. O mundo é teu... Dou-te... Agarra-o... É tua chance... Sou tua.. Leve-me, leve... Mas se o céu fechar? Eu, que já sou tua, o que farei? Para onde vou? Haverá vingança? Haverá matança? Quanta crueldade cabe em mim? Haverá lugar para o ódio na poesia?

- Sublime Amor – Minha sombra não tem fim... Ela aquieta-se assim, apenas quando algemo meu coração. E tu – como um toreador – Iludes que meu alvo é aqui.

Mesmo assim, eu me entrego a ti.

Deborah Schcolnic



Quero, Sim!

Quero sim! Com os cabelos ao vento Ficar por um fio e renascer das cinzas... Correr por entre labaredas no fogo da ventania e vestir a carapuça de mulher flamenca!

Quero sim! Gozar de mim mesma debaixo da alvorada, com a lua no céu armada. Brigar de brincar – seja lá no que for dar. Tudo para o meu amor atravessar o túnel de toda a minha vida

Quero sim...
Quero sim...
Quero sim...

Deborah Schcolnic



Entre Deuses e Humanos


Há muito tempo, na antiguidade e na nossa infância uterina, quando estávamos ainda encolhidos na nossa insignificância de reles humanos, inconscientes, de nada sabíamos, mas tudo sentíamos. O peso flutuava, o cheiro verde, a meia luz. O som vibrava distante, ondas de calor a nos percorrer. Era a época das cores do verão e da primavera. Desponta para o alto um corpo em broto, querendo num despertar para a vida, conhecer o que há.

No desencolher da natureza humana, a meio caminho do erguer-se, um botão, um braço se lança para um lado, depois o outro. Assim, quando ao nos postarmos em pé, com a cabeça erguida, a cruz, os quatro lados, as quatro estações estão nos seus lugares. Chegamos na idade adulta do mundo.

Mas, não nos contentamos com o que alcançamos, queremos mais e mais e mais, erguermo-nos para o alto, para a divindade, para os céus. As pontas da nossa base, quase deixam o chão, nessa ânsia de conquista. Lá do alto, os deuses percebem nosso orgulho e nos mandam o castigo, a lição: as mãos se dobram de tanto esforço para chegar mais perto de algum lugar, aonde não é o nosso lar. Os cotovelos se quebram de tanta dor pela tentativa frustrada. Os ombros caem velozmente, por tanto peso carregado nesse tempo percorrido. A cabeça se curva para baixo, numa desistência de tanto pensar na melhor maneira de se eternizar. A coluna perde sua estrutura. Ela não agüenta o tempo. Os joelhos se dobram com medo. Não há jeito. O fim é a morte. Apagam-se as luzes.
Mortos estamos. Estamos mortos. Morte certa, certa morte. Escuridão, solidão?

Não, não, não e não! Onde está aquilo que foi prometido por Prometeu? Aquele fogo, aquela luz. Acendem-se as luzes. Aqui, bem aqui no meio, entre todos, dentro de cada um. Abram os olhos e verão. É o verão da primavera que chega de novo e acende a nova Era, a nova Jerusalém. Os deuses de fora que não encontram os deuses de dentro, é onde mora a demora. Os humanos de dentro que ainda não encontraram um lugar lá fora, é onde mora a desesperança. Encolhidos ou erguidos, sentados ou em pé, dentro da nossa insignificância ou próximos dos deuses, identificados ou não, somos nós mesmos e ao mesmo tempo, somos todos eles, aqui e lá. Shangrilá!

Deborah Schcolnic



O Despertar de Anne Frank


Anne Frank... Um diário... Anne Frank e seu diário... O diário de Anne Frank...

Anne, o despertar do dia
desperta na guerra. O dia escurece debaixo de um teto de um anexo secreto.

Anne, o despertar da idade desperta em flor.
A idade da descoberta da própria identidade numa alma judia.

Anne, o despertar para o mundo desperta um temor. A vida se põe dentro de um porão de sentido nenhum.

Anne, o despertar em família desperta na dor. As mãos se dão de tremer em solidão na união por amor.

Anne, o despertar da vida desperta a voz. As palavras de intriga das bocas famintas de fome pela paz.
Anne, o despertar de uma mente desperta ao perceber os homens que fingem de dentro de um jogo num cego valor.

Anne, o despertar da luz desperta uma imagem.
As cores desbotam da vida se apagam de uma paisagem escura.

Anne, o despertar das letras desperta ao contar as frases fortes das mãos sensíveis no diário de vivo calor.

Anne, desperta na morte, desperta a comoção. As pessoas sentem surgir do ódio da guerra, a vida de uma jovem mulher.

Anne, desperta! Desperta o dia. O sol não se foi da vida: renasceu na dor, amanheceu...

Deborah Schcolnic



Nudez da Luz Cósmica

Canta pra mim, pássaro d´água! Toca pra mim, pássaro de fogo! Porque o ar está cruzando com a terra e vai nascer o quinto elemento. Ouça no ar a música, toque na terra os pés. Sinta o tremor,
pense no Amor.

Corrente de ferro libertando, idade de bronze vencendo, olho de prata sonhando, mãos de ouro dizendo: “mira mar, come mato, vida de ouro pegando fogo”.

Deborah Schcolnic



Canto Para o Céu

Antes fosse tarde, cedo fosse noite, que minha alma desperta para a vida inteira. Nunca mais serei a mesma, nada mais me falará além daquilo que ouço para além daquilo que peço.

A estrela da minha paixão brilha, a cor da minha terra canta, todos passam pelos portais. Abriu-se a flor de um perdão.

Sigo para a vida em frente, dança meu baile da esperança, anjos de mim se deram, penas de mim se foram. Ouço a música que liberta e peço a vida que me dera. Lanço mão do manifesto da Vontade Maior.

Deborah Schcolnic



Anjo do Outro Lado da Vida

Um anjo amado, presente em sonhos, está distante neste mundo real... Quando a lua brilhava no mais alto zênite, fui ao encontro dele. Eu via as nuvens cor de âmbar misturarem-se à figura triste que surgia. Ele chegava com os braços mortos, sentindo falta do abraço que há pouco deixara do outro lado. Queria ter nos meus, os músculos e o amor que um dia fui. Mas em mim, a delicadeza fluida e a doçura singela moram. Virei o olhar e deitei no sonho que outrora fora. Quanto a ele, (...) que siga só em seu caminho pelo chão de flores. No jardim que uma ilha torna, ele será anjo de todas as cores. Eu, (...) no meu navio de mar, serei poeta dessas todas cores.

Deborah Schcolnic



Hálito Frio

O sopro de Satã no hálito da vida provoca frio naqueles que insistem em congelar os sentimentos. Neva no ar do nosso ser uma dor fria: o gelo paralisa, a voz cala na garganta pela saliva em flocos. O sopro de morte anuncia que o fim é o silêncio da voz: o verbo quieto na rachadura do tempo. Expulso da terra foi aquele que não viu sobre o amor, aquele que não sentiu uma única vez a verdadeira obra de Deus.


Deborah Schcolnic


No Olho do Furacão

No olho do furacão, tudo gira em volta. Algo se mantém em meio à destruição. Olha para ela e nem pisca, porque se o fizesse, perderia a guerra. Sangraria em palavras, como estas, vermelhas, dizendo o quanto
o senhor da destruição machuca os olhos de quem está de fora do furacão. Numa mão canhota
e dolorida, porque o furacão, o furacão, o furacão está no corpo e a alma quer ser salva!

Deborah Schcolnic



Loucura

Dê-me força para levantar o meu mundo e tirá-lo da loucura. Quero erguê-lo acima da cabeça e das idéias insanas. Quero olhar para baixo, para a minha raiva animal e pisar sobre o meu dragão interior, domar a fera que existe em mim. Vestir-me com a minha própria pele, ousando a coragem de ser quem eu sou. E na minha juba, coroar-me com meu próprio mundo interno. Com meus braços levantar tudo o que me cerca, tirando-me da prisão e da opressão de um mundo desfacelado, sem cara e sem coração.

Deborah Schcolnic



O Amor

O amor é luz que transcende a alma: vai além do nosso alcance, acha-se escondido atrás do outro e nem podemos encontrar. Ele fica tão distante do olho... Vemos somente ao luar, quando o espelho mostra sua figura no sonho revelador matinal. Quando a lua e o sol se vêem sob a mira da terra, num triângulo de raios agudos, no centro passageiro suspirante, naquela entrepausa de inspiração e expiração, naquela batida cortante e quente do coração.

Deborah Schcolnic